Documentos judiciais revelam que HYBE teria comprado álbuns para inflar números de vendas
Novos documentos judiciais divulgados recentemente trouxeram à tona informações que estão gerando forte repercussão entre fãs e internautas sul-coreanos. Os registros fazem parte do processo envolvendo a HYBE e a ex-CEO da ADOR, Min Hee Jin, e detalham práticas internas relacionadas à comercialização de álbuns físicos no K-pop.
De acordo com os materiais apresentados no tribunal, a empresa teria realizado a chamada “compra antecipada” de álbuns, quando a própria gravadora adquire grandes quantidades do estoque antes ou logo após o lançamento, o que pode elevar artificialmente os números iniciais de vendas. Posteriormente, parte desses álbuns não vendidos teria sido devolvida ou descartada.
Trechos dos documentos chamaram atenção


“CA
Estoque inicial: 150.000 unidades
Estoque a ser devolvido: 100.000 unidades
Status: Aproximadamente 100.000 unidades foram devolvidas com sucesso.
Saldo atual (CB): 250.000 unidades
Observação: Processo de devolução concluído. Não há inventário pendente.
CC
Estoque inicial: 160.000 unidades
Estoque a ser devolvido: 70.000 unidades
Saldo atual (CB): 230.000 unidades
Observação: Processo de devolução em andamento.
CD
Estoque inicial: 500.000 unidades
Estoque a ser devolvido: 150.000 unidades
Saldo atual (CB): 650.000 unidades
Observação: Processo de devolução em andamento.
CE
Estoque inicial: 250.000 unidades
Estoque a ser devolvido: 200.000 unidades
Saldo atual (CB): 450.000 unidades
Observação: Processo de devolução em andamento.”
Um dos registros datado de 4 de agosto de 2023 menciona discussões internas sobre reorganização de departamentos e destaca que certas mudanças poderiam tornar “impossível realizar compras antecipadas de estoque”, sugerindo que essa prática era utilizada com frequência pela empresa.
Outro trecho apresenta números detalhados de inventário, indicando grandes quantidades de álbuns que precisariam ser devolvidas. Em alguns casos, os dados apontam estoques iniciais na casa das centenas de milhares de unidades, com dezenas ou até centenas de milhares destinados a retorno ou descarte.
Essas informações levantaram questionamentos sobre a real demanda do público em comparação com os números divulgados no período de lançamento.
Prática não é inédita, mas gerou críticas
A compra antecipada de álbuns não é algo totalmente incomum na indústria musical sul-coreana. Algumas empresas utilizam a estratégia para estabilizar distribuição, prever demanda ou impulsionar métricas iniciais. O ponto que gerou críticas foi o fato de parte significativa do material não ter sido redistribuída posteriormente ao público.
Internautas comentaram que outras agências costumam escoar estoques ao longo de meses, por meio de eventos promocionais, fansigns e vendas especiais, enquanto, segundo os documentos analisados, parte desse volume teria sido simplesmente devolvida, gerando prejuízo financeiro e suspeitas sobre a transparência dos números.
Debate sobre credibilidade das métricas no K-pop
O caso reacendeu discussões antigas dentro da comunidade sobre a pressão por recordes de vendas e posições em rankings. No mercado físico do K-pop, números elevados são frequentemente associados a prestígio, conquistas em premiações e impacto global, o que aumenta a competitividade entre empresas e artistas.
Críticos afirmam que práticas como essa podem distorcer a percepção de sucesso comercial, enquanto outros defendem que o modelo de negócios do K-pop, altamente baseado em pré-vendas e colecionismo, já funciona de maneira diferente da indústria ocidental.
Situação legal continua em andamento
Anteriormente, em 25 de fevereiro (KST), Min Hee Jin teria sugerido uma possível resolução para a disputa judicial, propondo abrir mão de certos direitos contratuais para que a HYBE pudesse concentrar esforços na reorganização das atividades do grupo NewJeans.
O caso segue em análise, e novas informações podem surgir conforme o processo avança.
cr:allkpop
